Resenha | X-Men: Apocalipse (e um especial sobre os X-Men?)

Antes de mais nada queria esclarecer uma coisa: X-Men foi o que...
...me fez curtir quadrinhos. Sem pestanejar afirmo isso. Foi o quadrinho que me fez querer ler outras histórias, Foi o quadrinho que me fez perceber que tinha um mundo muito maior além das garras daquele cara com expressão de louco que se vestia de colam amarelo.
E desde o primeiro filme, de 2000, onde Bryan Singer apresentou de maneira muito bacana e competente os mutantes para o mundo do cinema, criei um carinho maior ainda por esses personagens, que com o reforço da série animada que feito um sucesso incrível nos anos 90, estava na lista de favoritos há tempos.

O segundo filme também mandou bem, tendo uma evolução natural no tamanho do filme e com uma importância inevitável na referência de adaptações. X-Men sempre tem como tema principal a aceitação e as discussões sobre intolerância e discriminação das minorias, e isso é muito bem feito nos dois primeiros. A Fox tinha feito o melhor negócio da sua história, e o sucesso fez com que a "mãe das crianças" começasse a mexer seus pauzinhos para que outros filhos tomassem vida na tela grande. O resto da história você já vem acompanhando e a Marvel é o que é hoje por conta desse sucesso.

Singer resolve então ficar só na produção, e ai que a merda está feita! A direção de  Brett Ratner no terceiro traz um novo ar, até que bacana, mas as escolhas do roteiro, revoltaram até mesmo aqueles que não conheciam as histórias nas quais os roteiros foram baseados. Para recuperar o prestígio da série, a Fox, que se encontrava em um beco sem saída, acha como solução contar a origem do mutante mais famoso de todos..
Como resultado? Uma merda de filme que se não fosse pelo carisma de seu interprete seria pior ainda. X-Men Origens: Wolverine (2009), de Gavin Hood, deveria servir para recuperar o prestígio dos mutantes, mas acaba por ser uma bomba ainda maior do que o terceiro episódio da série principal. Mas por sorte, em 2013, James Mangold salva a reputação de Logan trazendo um filme que faz jus a sua história e o legado até ali já criado por Hugh Jackman, realizando um segundo filme solo competente, com uma história que bebe bastante da grande série Wolverine, escrita por Chris Claremont e Frank Miller em 1982.

Mas, eis que chegamos ao ponto divisor de águas dos filmes do grupo. Antes do segundo filme do Wolverine, tivemos uma grata surpresa e que pra mim, junto com primeiro e o segundo filme da franquia, é um dos melhores. Singer volta para conta a história da Primeira Classe criada pelo então jovem Professor Xavier.
X-Men: Primeira Classe (2011) é um primor no seu roteiro, bem amarrado e que conta de maneira competente a origens dos lideres mais emblemáticos da franquia. Um reboot elegante e que, para os que conhecem a série, não ofende em nenhum momento. Com as adições de James McAvoy, Michael Fassbender e Jennifer Lawrence ao elenco, o filme atrai novos públicos e mostra que ainda havia esperança para a série (já que a sequência de Wolverine, viria só depois desse filme).

Um grande filme que coloca a série no caminho mais ousado que a série já teve. Em X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido (2014), tivemos o filme que consertou todas as cagadas da trilogia anterior (e do primeiro solo do Wolverine). Usar viagens no tempo para corrigir erros é algo comum nos quadrinhos, mas a forma como a adaptação da saga Dias de Um Futuro Esquecido, mesmo não me agradando a principal a escolha do Wolverine como personagem principal, mas mais uma vez o talento de Jackman salvou o filme.

Também foi muito legal ver a espécie de "passada do bastão" que houve entre a "antiga" geração e a nova geração de atores. E então, finalmente, era anunciado o filme que "encerraria" a nova trilogia e definiria de vez os novos rumos da franquia X-Men nos cinemas.

E em meio a negociações entre personagens (Guerra Civil) e um sucesso inesperado (Deadpool), esse filme deveria entregar o que prometeu. E infelizmente, isso não aconteceu por completo, mas de certa forma, mantém a qualidade na média da nova trilogia.
Mantendo a linha do tempo, que começou nos anos 60 no Primeira Classe, X-Men: Apocalipse (2016) se passa na década de 80. Sendo assim, a correção na linha do tempo se mostra mais do que acertada!

Bom, sobre o filme...já começo destacando a boa caracterização da década, mesmo que em poucos detalhes, foi uma boa caracterização. Mas vamos ao enredo: En Sabah Nur (Oscar Isaac) é o mutante original e depois de milhares de anos, acorda com o intuito de purificar a humanidade como uma nova ordem mundial. Claro que para isso, ele será o rei.

Para isso, ele buscará seus Quatro Cavaleiros e para preencheram essas posições recrutará Magneto (Michael Fassbender), Psylocke (Olivia Munn), Anjo (Ben Hardy) e Tempestade (Alexandra Shipp). Após tomar conhecimento do que estava por vir, o Professor Xavier (James McAvoy), busca mais informações com Moira MacTaggert (Rose Byrne) e com a ajuda de Raven (Jennifer Lawrence) irá reunir uma nova equipe de jovens X-Men para parar a nova ameaça.

À partir dessa introdução, somos apresentados aos novos rostos da nova franquia. Temos o retorno dos personagens que ficaram no caminho após o terceiro filme. Conhecemos então os novos rostos Scott Summers, Ciclope (Tye Sheridan), Jean Grey (Sophie Turner) e Kurt Wagner, o Noturno (Kodi Smit-McPhee). Juntos com Hank McCoy, o Fera (Nicholas Hoult) terão que aprender a controlar seus poderes e combaterem juntos a nova ameça.

Gostei bastante da introdução, principalmente do Noturno (que pra quem conhece os quadrinhos, ficou uma clima no ar...). As novas versões da Jean e do Ciclopes ficaram bacanas também, mesmo Tye Sheridan não ter tanto carisma assim.
O roteiro não entrega muitas surpresas. O mais incrível é que o material era muito rico. As comparações bíblicas, novamente a necessidade de aceitação e as discussões políticas sobre intolerância e discriminação das minorias traria muito mais conteúdo e peso para o filme. Não só se trata de um dos vilões mais poderosos e importantes e com certeza, mesmo que o filme ficasse mais longo, valeria a pena.

A troca pelos dramas pessoais (com exceção da virada do Magneto que deveria ter sido mais explorada, mas graças a atuação de Michael Fassbender, é aceitável) agregaria muito mais para a trama. Não existem surpresas. O "encontro" de Apocalipse com seus "cavaleiros" é sem sentido e não agrega em nada a trama. O final é previsível desde o começo e mesmo alguns pontos que sabemos que só serão resolvidos nos futuros filmes, a sensação é de que houve uma certa covardia no roteiro.

O impacto que os dois primeiros filmes dessa nova trilogia causaram, por inovações em uma história que parecia seguir um caminho triste (de ruim) como foi o final de O Confronto Final. E essa importância que a Mística teve, tá ficando feio já, pois sabemos que ela só se dá por conta do tamanho que o nome de Jennifer Lawrence tomou em Hollywood. Está a Fox errada? É pensando bem, acho que não.

Espero que outros caminhos sejam explorados. Um ciclo se encerrou nesse filme e é preciso seguir em frente.
Mas mesmo com essas falhas, esperava um filme pior. Ok, o vilão, mesmo sendo um dos mais interessantes da série, não se apresenta nem perto do que a sua contraparte no quadrinhos. Mas mesmo assim, é uma ameaça que assola o mundo inteiro. E essa grandiosidade não se apresenta no filme. O que é uma pena.

É bom saber que finalmente, uma história tão bacana como é a dos X-Men está de volta aos trilhos. O elenco salva o roteiro desses pontos. As novas adições, com destaque para Sophie Turner, parecem terem sido as corretas. Isso porque ainda tivemos uma Jubileu (Lana Condor) que se mandar tão bem quanto a caracterização, será sucesso garantido!
E claro que a participação do Wolverine no filme foi o mais puro fã service e um dos pontos altos do filme. E essa participação me deu grandes esperanças sobre o que esperar do filme solo sem censura. Brutal e sem dó, realmente tivemos um reboot de toda a série e todo o personagem. E o final da sequência da cena acaba se tornando bem emblemática com Jean "acalmando" a mente perturbada de Logan.

Assim como a cena do Mércurio (Evan Peters) que mostra que o personagem veio pra ficar na franquia e que é um dos grandes coringas (e a cena dele na mansão prova isso), tornando-se outro ponto alto.

No final das contas, X-Men: Apocalipse coloca de vez os pingos nos i's, entrega em definitivo a nova equipe ao público e prepara um terreno bem fértil para novos filmes. Deapool provou que um pouco de ousadia não faz mal pra ninguém. Mas mais do que isso, manter o nível é mais importante ainda. E com certeza, a piada feita pela Jean sobre terceiros filmes faz sentido...infelizmente.
Com seu final previsível e a falta de coragem que Singer sempre mostrou em todos os filmes que dirigiu da série, me pergunto, onde está aquele diretor que fez magistralmente aquele clássico chamado Os Suspeitos. Mas depois da correção dos erros que a série quase insistiu em repetir, é um bom até logo...porque com certeza não será a última vez que veremos o diretor envolvido em alguma produção dos X-Men. Ainda bem?

Avaliação do ALTER EGO:


TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
X-Men: Apocalipse (X-Men: Apocalypse) - 2016 - 114 min. - EUA - Ação/Aventura
Direção: Bryan Singer
Roteiro: Simon Kinberg, Dan Harris (história), Michael Dougherty (história), Bryan Singer (história)
Elenco: James McAvoy, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence, Oscar Isaac, Rose Byrne, Nicholas Hoult, Sophie Turner, Tye Sheridan, Alexandra Shipp, Olivia Munn, Kodi Smit-McPhee, Lana Condor, Lucas Till, Evan Peters
Site Oficial: http://www.foxmovies.com/movies/x-men-apocalypse



Resenha | X-Men: Apocalipse (e um especial sobre os X-Men?) Resenha | X-Men: Apocalipse (e um especial sobre os X-Men?) Reviewed by Manguaça Nerd on 20:00 Rating: 5

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